domingo, 19 de maio de 2019

Sonho de Empreendedor


terça-feira, 18 de novembro de 2014

O amor não tem pressa...


Não se afobe, não
Que nada é pra já
O amor não tem pressa
Ele pode esperar em silêncio
Num fundo de armário
Na posta-restante
Milênios, milênios no ar

E quem sabe, então
O Rio será
Alguma cidade submersa
Os escafandristas virão
Explorar sua casa
Seu quarto, suas coisas
Sua alma, desvãos

Sábios em vão
Tentarão decifrar
O eco de antigas palavras
Fragmentos de cartas, poemas
Mentiras, retratos
Vestígios de estranha civilização

Não se afobe, não
Que nada é pra já
Amores serão sempre amáveis
Futuros amantes, quiçá
Se amarão sem saber
Com o amor que eu um dia
Deixei pra você

(Futuros Amantes - Chico Buarque)

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Tédio



Passo pálida e triste. Oiço dizer
"Que branca que ela é! Parece morta!"
E eu que vou sonhando, vaga, absorta,
Não tenho um gesto, ou um olhar sequer...

Que diga o mundo e a gente o que quiser!
-O que é que isso me faz?... o que me importa?...
O frio que trago dentro gela e corta
Tudo que é sonho e graça na mulher!

O que é que isso me importa?! Essa tristeza
É menos dor intensa que frieza,
É um tédio profundo de viver!

E é tudo sempre o mesmo,eternamente...
O mesmo lago plácido,dormente dias,
E os dias,sempre os mesmos,a correr...


(Florbela Espanca)

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Eu estava aqui o tempo todo...


Te vejo errando e isso não é pecado,
Exceto quando faz outra pessoa sangrar,
Te vejo sonhando e isso dá medo,
Perdido num mundo que não dá pra entrar
Você está saindo da minha vida
E parece que vai demorar
Se não souber voltar, ao menos mande notícias
Você acha que eu sou louca
Mas tudo vai se encaixar

Tô aproveitando cada segundo
Antes que isso aqui vire uma tragédia

E não adianta nem me procurar
Em outros timbres, outros risos
Eu estava aqui o tempo todo
Só você não viu

(...)

Só por hoje não quero mais te ver, 
só por hoje não vou tomar minha dose de você
Cansei de chorar feridas que não se fecham, não se curam
E essa abstinência uma hora vai passar

(Pitty)

sábado, 25 de outubro de 2014

Meu Silêncio


Pai, quero dizer te amo
Mas eu não sei como
E assim as coisas lindas
que eu preciso dizer
permanecem escondidas
no silêncio do meu ser

Pai, quero dizer que te adoro
Mas quase sempre eu choro
E assim a melodia da mais linda canção
permanece prisoneira dentro do meu coração

E eu não consigo falar
Eu só consigo chorar
Não encontro as palavras
A minha voz se cala
mas o meu silêncio quer te adorar

E o meu silêncio vai soar aos teus ouvidos
Como canção de melodia inexprimível
Como poesia declamada pelo Espírito
pra te adorar ó Deus, no silêncio do indizível

Quando me faltarem palavras
para expressar o meu amor por Ti
Que o meu silêncio fale mais alto por mim

(Marina de Oliveira)

Querido Pai, 
Aceita o silêncio do meu coração contrito, como uma oração de louvor à Ti. Neste momento eu anseio pelo Teu toque. Acolhe esta tua filha pecadora, e oferece o aconchego do Teu colo...

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

O beijo e a Flor


Encontrei um amigo
à procura de um amor
Lembrei da tua flor do cosmo
E o fiz um favor...
Encaminhei para ti o apaixonado.
Porém, peço que não sejas malvado!
Facilita o contato.
Pois, este terno encontro
Entre o beijo e a flor
Pode ser o despertar
de um singelo e verdadeiro amor!



(Ao Poeta "V", fonte de inspiração destes humildes versos)


domingo, 15 de junho de 2014

Devaneios de um domingo a noite...


Disseram-me hoje, assim, ao ver-me triste:
“Parece Sexta-Feira de Paixão.
Sempre a cismar, cismar de olhos no chão,
Sempre a pensar na dor que não existe…

O que é que tem?! Tão nova e sempre triste!
Faça por estar contente! Pois então?!…”
Quando se sofre, o que se diz é vão…
Meu coração, tudo, calado, ouviste…

Os meus males ninguém mos adivinha…
A minha Dor não fala, anda sozinha…
Dissesse ela o que sente! Ai quem me dera!…

Os males de Anto toda a gente os sabe!
Os meus …ninguém… A minha Dor não cabe
Em cem milhões de versos que eu fizera!…

(Florbela Espanca)


Sinto que, assim como Florbela, sou uma incompreendida... Carrego em minha alma uma inquietude que não sei explicar, só consigo sentir, e ninguém a percebe em mim.
Estou sempre em busca de algo que não sei o que é, nem onde encontrar. Sinto-me perdida em meus devaneios...
Não me incomoda a solidão dos meus dias. Fiz as pazes com a solidão. Gosto dela e ela parece gostar de mim...
Em meu peito há uma confusão de sentimentos. 
Será insanidade? Será tristeza? Será eu mesma?...
Penso onde me perdi... Em que momento da minha vida perdi o controle de mim mesma? Em algum momento já o tive?
Devaneios... devaneios... 


terça-feira, 30 de julho de 2013

Tristeza Permitida - Martha Medeiros



Se eu disser pra você que hoje acordei triste, que foi difícil sair da cama, mesmo sabendo que o sol estava se exibindo lá fora e o céu convidava para a farra de viver, mesmo sabendo que havia muitas providências a tomar, acordei triste e tive preguiça de cumprir os rituais que faço sem nem prestar atenção no que estou sentindo, como tomar banho, colocar uma roupa, ir pro computador, sair pra compras e reuniões – se eu disser que foi assim, o que você me diz? Se eu lhe disser que hoje não foi um dia como os outros, que não encontrei energia nem pra sentir culpa pela minha letargia, que hoje levantei devagar e tarde e que não tive vontade de nada, você vai reagir como? 
Você vai dizer “te anima” e me recomendar um antidepressivo, ou vai dizer que tem gente vivendo coisas muito mais graves do que eu (mesmo desconhecendo a razão da minha tristeza), vai dizer pra eu colocar uma roupa leve, ouvir uma música revigorante e voltar a ser aquela que sempre fui, velha de guerra. 
Você vai fazer isso porque gosta de mim, mas também porque é mais um que não tolera a tristeza: nem a minha, nem a sua, nem a de ninguém. Tristeza é considerada uma anomalia do humor, uma doença contagiosa, que é melhor eliminar desde o primeiro sintoma. Não sorriu hoje? Medicamento. Sentiu uma vontade de chorar à toa? Gravíssimo, telefone já para o seu psiquiatra. 
A verdade é que eu não acordei triste hoje, nem mesmo com uma suave melancolia, está tudo normal. Mas quando fico triste, também está tudo normal. Porque ficar triste é comum, é um sentimento tão legítimo quanto a alegria, é um registro de nossa sensibilidade, que ora gargalha em grupo, ora busca o silêncio e a solidão. Estar triste não é estar deprimido. 
Depressão é coisa muito séria, contínua e complexa. Estar triste é estar atento a si próprio, é estar desapontado com alguém, com vários ou consigo mesmo, é estar um pouco cansado de certas repetições, é descobrir-se frágil num dia qualquer, sem uma razão aparente – as razões têm essa mania de serem discretas. 
“Eu não sei o que meu corpo abriga/ nestas noites quentes de verão/ e não me importa que mil raios partam/ qualquer sentido vago da razão/ eu ando tão down...” Lembra da música? Cazuza ainda dizia, lá no meio dos versos, que pega mal sofrer. Pois é, pega mal. Melhor sair pra balada, melhor forçar um sorriso, melhor dizer que está tudo bem, melhor desamarrar a cara. “Não quero te ver triste assim”, sussurrava Roberto Carlos em meio a outra música. Todos cantam a tristeza, mas poucos a enfrentam de fato. Os esforços não são para compreendê-la, e sim para disfarçá-la, sufocá-la, ela que, humilde, só quer usufruir do seu direito de existir, de assegurar seu espaço nesta sociedade que exalta apenas o oba-oba e a verborragia, e que desconfia de quem está calado demais. Claro que é melhor ser alegre que ser triste (agora é Vinícius), mas melhor mesmo é ninguém privar você de sentir o que for. Em tempo: na maioria das vezes, é a gente mesmo que não se permite estar alguns degraus abaixo da euforia. 
Tem dias que não estamos pra samba, pra rock, pra hip-hop, e nem pra isso devemos buscar pílulas mágicas para camuflar nossa introspecção, nem aceitar convites para festas em que nada temos para brindar. Que nos deixem quietos, que quietude é armazenamento de força e sabedoria, daqui a pouco a gente volta, a gente sempre volta, anunciando o fim de mais uma dor – até que venha a próxima, normais que somos.

domingo, 7 de julho de 2013

Confusão de sentimentos

Este será simplesmente um post de desabafo...

Meu coração e meus pensamentos estão confusos, gritando em agonia dentro de mim, e não sei como acalmá-los. Tudo que sempre desejei parece que chega a minha vida, mas ao mesmo tempo sinto como se fosse tudo passageiro...
Tenho pressa! E minha vida já está na fase da aceleração...
Mas o que esperar de algo, que nem sei ao certo como denominar?

Vontade gritar aos quatro cantos os desejos do meu coração! E ao mesmo tempo sinto a necessidade de sufocá-los...

O que fazer? Que decisão tomar?

Abrir mão de um futuro incerto? Ou tentar mudar a incerteza desse futuro?

E agonia continua...

sexta-feira, 14 de junho de 2013


Há momentos em que os sentimentos invadem a alma, mas o medo e a insegurança não permitem que eles dominem o coração.
E o que fazer para unir alma e coração?
Qual o caminho seguro para chegar à esta plenitude?

Quisera eu, um dia, alcançar este limiar de amor que invade o peito e transforma a alma...



domingo, 19 de agosto de 2012

Devaneios de Saudades

A saudade molha o travesseiro e no peito a angústia da certeza que jamais sentirei o cheiro de sua pele novamente...

O desejo insiste em telefonar, mesmo que seja somente para ouvir sua voz e desligar...

Mas a razão fala mais alto que o coração, e a dor da saudade se confunde com o desejo de arrancar esse sentimento do peito...

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Lágrimas ocultas



Se me ponho a cismar em outras eras
Em que ri e cantei, em que era q'rida,
Parece-me que foi noutras esferas,
Parece-me que foi numa outra vida...


E a minha triste boca dolorida
Que dantes tinha o rir das Primaveras,
Esbate as linhas graves e severas
E cai num abandono de esquecida!

E fico, pensativa, olhando o vago...
Toma a brandura plácida dum lago
O meu rosto de monja de marfim...

E as lágrimas que choro, branca e calma,
Ninguém as vê brotar dentro da alma!
Ninguém as vê cair dentro de mim!

Florbela Espanca


Eu não preciso pensar em muitas palavras para expressar meus sentimentos, pois Florbela já expressou todos eles antes de mim...

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Recordações...



Você foi!
O maior dos meus casos
De todos os abraços
O que eu nunca esqueci

Você foi!
Dos amores que eu tive
O mais complicado
E o mais simples prá mim...

Você foi!
O melhor dos meus erros
A mais estranha história
Que alguém já escreveu
E é por essas e outras
Que a minha saudade
Faz lembrar
De tudo outra vez...

Você foi!
A mentira sincera
Brincadeira mais séria
Que me aconteceu

Você foi!
O caso mais antigo
E o amor mais amigo
Que me apareceu...
Das lembranças
Que eu trago na vida
Você é a saudade
Que eu gosto de ter

Só assim!
Sinto você bem perto de mim
Outra vez...

Me esqueci!
De tentar te esquecer

Resolvi!
Te querer, por querer
Decidi te lembrar
Quantas vezes
Eu tenha vontade
Sem nada perder...

Ah! Você foi!
Toda a felicidade
Você foi a maldade
Que só me fez bem

Você foi!
O melhor dos meus planos
E o maior dos enganos
Que eu pude fazer...
Das lembranças
Que eu trago na vida
Você é a saudade
Que eu gosto de ter

Só assim!
Sinto você bem perto de mim

Outra vez....


Hoje eu acordei estranha... Vivendo um momento confuso, no qual os meus sentimentos entram em conflito fazendo o meu coração de refém. 
"Sensível demais... eu sou um alguém que chora por qualquer lembrança de nós dois. Sensível demais... você me deixou e agora como dominar as emoções?"

domingo, 18 de setembro de 2011

Provações

Provações

São tantas as tribulações
São tantas as decepções
Que as vezes faltam forças pra continuar
E chego até duvidar se a fé que insiste em ficar
A muito tempo não ame abandonou

E choro ajoelhado clamo o Teu nome
E no meu coração Tu me respondes
Não temas, crê somente em Teu Senhor
Meu filho, é na tua fraqueza que eu me mostro
E se fores fiel até a morte
Verás a glória do teu Salvador

Eu sei quanto é difícil irmão, no dia da tribulação
No vale te mostrares forte
Mas creia que Deus é fiel
Tuas lágrimas chegarão ao céus
E Ele vai te dar vitória


Sérgio Lopes

domingo, 4 de setembro de 2011

Estou Cansado


Cansei! Entendo que o mundo evangélico não admite que um pastor confesse o seu cansaço. Conheço as várias passagens da Bíblia que prometem restaurar os trôpegos. Compreendo que o profeta Isaías ensina que Deus restaura as forças do que não tem nenhum vigor. Também estou informado de que Jesus dá alívio para os cansados. Por isso, já me preparo para as censuras dos que se escandalizarem com a minha confissão e me considerarem um derrotista. Contudo, não consigo dissimular: eu me acho exausto.

Não, não me afadiguei com Deus ou com minha vocação. Continuo entusiasmado pelo que faço; amo o meu Deus, bem como minha família e amigos. Permaneço esperançoso. Minha fadiga nasce de outras fontes.

Canso com o discurso repetitivo e absurdo dos que mercadejam a Palavra de Deus. Já não agüento mais que se usem versículos tirados do Antigo Testamento e que se aplicavam a Israel para vender ilusões aos que lotam as igrejas em busca de alívio. Essa possibilidade mágica de reverter uma realidade cruel me deixa arrasado porque sei que é uma propaganda enganosa. Cansei com os programas de rádio em que os pastores não anunciam mais os conteúdos do evangelho; gastam o tempo alardeando as virtudes de suas próprias instituições. Causa tédio tomar conhecimento das infinitas campanhas e correntes de oração; todas visando exclusivamente encher os seus templos. Considero os amuletos evangélicos horríveis. Cansei de ter de explicar que há uma diferença brutal entre a fé bíblica e as crendices supersticiosas.

Canso com a leitura simplista que algumas correntes evangélicas fazem da realidade. Sinto-me triste quando percebo que a injustiça social é vista como uma conspiração satânica, e não como fruto de uma construção social perversa. Não consideram os séculos de preconceitos nem que existe uma economia perversa privilegiando as elites há séculos. Não agüento mais cultos de amarrar demônios ou de desfazer as maldições que pairam sobre o Brasil e o mundo.

Canso com a repetição enfadonha das teologias sem criatividade nem riqueza poética. Sinto pena dos teólogos que se contentam em reproduzir o que outros escreveram há séculos. Presos às molduras de suas escolas teológicas, não conseguem admitir que haja outros ângulos de leitura das Escrituras. Convivem com uma teologia pronta. Não enxergam sua pobreza porque acreditam que basta aprofundarem um conhecimento "científico" da Bíblia e desvendarão os mistérios de Deus. A aridez fundamentalista exaure as minhas forças.

Canso com os estereótipos pentecostais. Como é doloroso observá-los: sem uma visitação nova do Espírito Santo, buscam criar ambientes espirituais com gritos e manifestações emocionais. Não há nada mais desolador que um culto pentecostal com uma coreografia preservada, mas sem vitalidade espiritual. Cansei, inclusive, de ouvir piadas contadas pelos próprios pentecostais sobre os dons espirituais.

Cansei de ouvir relatos sobre evangelistas estrangeiros que vêm ao Brasil para soprar sobre as multidões. Fico abatido com eles porque sei que provocam que as pessoas "caiam sob o poder de Deus" para tirar fotografias ou gravar os acontecimentos e depois levantar fortunas em seus países de origem.

Canso com as perguntas que me fazem sobre a conduta cristã e o legalismo. Recebo todos os dias várias mensagens eletrônicas de gente me perguntando se pode beber vinho, usar "piercing", fazer tatuagem, se tratar com acupuntura etc., etc. A lista é enorme e parece inexaurível. Canso com essa mentalidade pequena, que não sai das questiúnculas, que não concebe um exercício religioso mais nobre; que não pensa em grandes temas. Canso com gente que precisa de cabrestos, que não sabe ser livre e não consegue caminhar com princípios. Acho intolerável conviver com aqueles que se acomodam com uma existência sob o domínio da lei e não do amor.

Canso com os livros evangélicos traduzidos para o português. Não tanto pelas traduções mal feitas, tampouco pelos exemplos tirados do golfe ou do basebol, que nada têm a ver com a nossa realidade. Canso com os pacotes prontos e com o pragmatismo. Já não agüento mais livros com dez leis ou vinte e um passos para qualquer coisa. Não consigo entender como uma igreja tão vibrante como a brasileira precisa copiar os exemplos lá do norte, onde a abundância é tanta que os profetas denunciam o pecado da complacência entre os crentes. Cansei de ter de opinar se concordo ou não com um novo modelo de crescimento de igreja copiado e que vem sendo adotado no Brasil.

Canso com a falta de beleza artística dos evangélicos. Há pouco compareci a um show de música evangélica só para sair arrasado. A musicalidade era medíocre, a poesia sofrível e, pior, percebia-se o interesse comercial por trás do evento. Quão diferente do dia em que me sentei na Sala São Paulo para ouvir a música que Johann Sebastian Bach (1685-1750) compôs sobre os últimos capítulos do Evangelho de São João. Sob a batuta do maestro, subimos o Gólgota. A sala se encheu de um encanto mágico já nos primeiros acordes; fechei os olhos e me senti em um templo. O maestro era um sacerdote e nós, a platéia, uma assembléia de adoradores. Não consegui conter minhas lágrimas nos movimentos dos violinos, dos oboés e das trompas. Aquela beleza não era deste mundo. Envoltos em mistério, transcendíamos a mecânica da vida e nos transportávamos para onde Deus habita. Minhas lágrimas naquele momento também vinham com pesar pelo distanciamento estético da atual cultura evangélica, contente com tão pouca beleza.

Canso de explicar que nem todos os pastores são gananciosos e que as igrejas não existem para enriquecer sua liderança. Cansei de ter de dar satisfações todas as vezes que faço qualquer negócio em nome da igreja. Tenho de provar que nossa igreja não tem título protestado em cartório, que não é rica, e que vivemos com um orçamento apertado. Não há nada mais desgastante do que ser obrigado a explanar para parentes ou amigos não evangélicos que aquele último escândalo do jornal não representa a grande maioria dos pastores que vivem dignamente.

Canso com as vaidades religiosas. É fatigante observar os líderes que adoram cargos, posições e títulos. Desdenho os conchavos políticos que possibilitam eleições para os altos escalões denominacionais. Cansei com as vaidades acadêmicas e com os mestrados e doutorados que apenas enriquecem os currículos e geram uma soberba tola. Não suporto ouvir que mais um se auto-intitulou apóstolo.

Sei que estou cansado, entretanto, não permitirei que o meu cansaço me torne um cínico. Decidi lutar para não atrofiar o meu coração.

Por isso, opto por não participar de uma máquina religiosa que fabrica ícones. Não brigarei pelos primeiros lugares nas festas solenes patrocinadas por gente importante. Jamais oferecerei meu nome para compor a lista dos preletores de qualquer conferência. Abro mão de querer adornar meu nome com títulos de qualquer espécie. Não desejo ganhar aplausos de auditórios famosos.

Buscarei o convívio dos pequenos grupos, priorizarei fazer minhas refeições com os amigos mais queridos. Meu refúgio será ao lado de pessoas simples, pois quero aprender a valorizar os momentos despretensiosos da vida. Lerei mais poesia para entender a alma humana, mais romances para continuar sonhando e muita boa música para tornar a vida mais bonita. Desejo meditar outras vezes diante do pôr-do-sol para, em silêncio, agradecer a Deus por sua fidelidade. Quero voltar a orar no secreto do meu quarto e a ler as Escrituras como uma carta de amor de meu Pai.

Pode ser que outros estejam tão cansados quanto eu. Se é o seu caso, convido-o então a mudar a sua agenda; romper com as estruturas religiosas que sugam suas energias; voltar ao primeiro amor. Jesus afirmou que não adianta ganhar o mundo inteiro e perder a alma. Ainda há tempo de salvar a nossa.

Soli Deo Gloria.

Ricardo Gondim

domingo, 28 de agosto de 2011

Saudade...


"Voltei a cantar
porque senti saudade
do tempo em que eu andava pela cidade
Com sustenidos e bemóis
Desenhados na minha voz
E a saudade rola, rola
Como um disco de vitrola
Começo a recordar
Cantando em tom maior
E acabo no tom menor..."

segunda-feira, 18 de julho de 2011

"Socorro bem presente na hora da angústia..."




"Situações nessa vida me fazem sentir, que não forte a ponto de até resistir...
Nestes terriveis momentos os maus pensamentos me querem levar, a um extremo de vida que o meu equilibrio se deixa enganar...
Instantes que se prologam tentando mudar, tudo que já se fez novo, pois Cristo mudou...
Tentando hoje trazer o que eu tento esquecer, sou vencedor e ninguem poderá me deter...
Pois eu sei que jamais eu provado serei além do que posso suportar.
E se ainda eu cair e pensar que é o fim...
JESUS me ergue e segue junto a mim..."

quarta-feira, 13 de julho de 2011

My castles...


In the sand I made a castle of dreams, for my love…

In the sand I see my castle to fall after a gale…

I am alone!

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Eu quero um amor maduro...



O amor maduro não é menor em intensidade.
Ele é apenas silencioso. Não é menor em extensão.
É mais definido colorido e poetizado.
Não carece de demonstrações: Presenteia com a verdade do sentimento.

Não precisa de presenças exigidas:
amplia-se com as usências significantes.

O amor maduro tem e quer problemas, sim, como tudo.
Mas vive dos problemas da felicidade.
Problemas da felicidade são formas
trabalhosas de construir o bem, o prazer.
Problemas da infelicidade não interessam ao amor maduro.
Na felicidade está o encontro de peles, o ficar com o gosto da boca
e do cheiro do outro - está a compreensão antecipada, a adivinhação,
o presente de valor interior, a emoção vivida em conjunto,
os discursos silenciosos da percepção, o prazer de conviver,
o equilíbrio de carne e de espírito.

O amor maduro é a valorização do melhor do outro
e a relação com a parte salva de cada pessoa.
Ele vive do que não morreu, mesmo tendo ficado para depois,
vive do que fermentou criando dimensões novas
para sentimentos antigos, jardins abandonados, cheios de sementes.

Ele não pede, tem.
Não reivindica, consegue.
Não percebe, recebe.
Não exige, oferece.
Não pergunta, adivinha.
Existe, para fazer feliz.

O amor maduro cresce na verdade e se esconde a cada auto-ilusão,
basta-se com o todo do pouco. Não precisa e nem quer nada do muito.
Está relacionado com a vida e por isso mesmo é incompleto,
por isso é pleno em cada ninharia por ele transformada em paraíso.
É feito de compreensão, música e mistério.
É a forma sublime de ser adulto e a forma adulta de ser sublime e criança.
É o sol de outono: nítido, mas doce.

Luminoso, sem ofuscar.
Suave, mas definido.
Discreto, mas certo.

terça-feira, 14 de junho de 2011

O tempo de Deus!



Quando ouvi a tua voz, tocou meu coração,
Uma emoção tão forte que eu nunca senti...
O anseio de minh'alma, ensinou-me a superar,
E me mostrou várias razões pra que eu pudesse esperar...

O tempo de Deus na minha vida,
O tempo de Deus pros meus sentimentos,
O tempo de Deus para o milagre,
O tempo de Deus vai se cumprir...
O tempo de Deus pras minhas promessas,
O tempo de Deus pra minha cura,
O tempo de Deus pra me exaltar,
O tempo de Deus...

posso esperar!

(Rose Nascimento)